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Cristal Bittencourt

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Publicado em:
27 de outubro de 2015

Machismo e Publicidade: o bonde da história

Os últimos dias não tem sido fáceis para as mulheres. Na quarta passada, depois da estreia do Masterchef Junior, a internet foi recheada de comentários nojentos sobre uma participante de 12 anos (mais sobre essa história aqui). O caso tomou uma proporção tão grande que não só tomou a mídia como ainda motivou um pronunciamento da única chef mulher do programa, Paola Carosella. Mas como a internet é linda, o site Think Olga lançou a hashtag #primeiroassédio e milhares de mulheres se pronunciaram sobre essa situação tão comum pra nós. E, claro, junto com qualquer onda feminista, vem o chorume de parte da população masculina, e barbaridades foram ditas às mulheres que participaram dessa corrente de apoio à mini-chef.

Pula pro final de semana. A prova do ENEM desse ano trouxe como tema da redação: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Até aí tudo bem pra qualquer pessoa sensata, mas teve quem achasse um absurdo a abordagem de um assunto como esse em ano de crise e escândalos políticos. Absurdo pra quem, cara pálida? A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil, e basta uma busca rápida no Google pra você encontrar muitas outras informações aterrorizantes.

Mas tudo isso qualquer um que tenha se conectado nos últimos 10 dias sabe. O que nem todo mundo percebe é que a violência contra a mulher é algo que vai muito além do estupro e da violência física propriamente dita. Então não vamos nos prender a ela por aqui. Vamos ousar e supor que todo mundo concorda que isso é feio, errado, e deve ser punido, ok? Ok.

Em um momento como esse, em que todos os olhares se voltam para as mulheres, principalmente para as que já possuem um posicionamento feminista prévio, calar é consentir. Ficar calado sobre assédios no dia-a-dia, em relacionamentos e, porque não, no nosso ambiente de trabalho, é consentir.

Sim, esse é um texto publicado pelo perfil de uma agência de publicidade e vamos falar sobre isso.
Agências são ambientes historicamente machistas e atire a primeira pedra a mulher que nunca ouviu pérolas como:

  • Tá de TPM?
  • Dormiu de calça jeans?
  • Estão menstruando juntas?
  • Você leva tudo muito a sério!
  • Tá ficando doida?!
  • Eu entendi o que você quis dizer, mas o certo é ISSO.
  • Você está exagerando!

(Esses últimos exemplos se encaixam bem em quatro tipos de machismo quase sempre invisíveis: mansplaining, manterrupting, bropriating e gaslighting. Não sabe o que é? O Think Olga explica bem esses conceitos.)

Você tem um colega que faz essas coisas, mas você acha que ele faz isso com todo mundo, independente do gênero? Experimenta observá-lo na próxima reunião, no próximo bate papo no almoço. Repara se ele faz isso com os homens com a mesma desenvoltura e malemolência que ele faz com as mulheres. Você vai se surpreender.

Mas é sempre bom lembrar que o buraco é mais embaixo, porque nos próprios setores de uma agência fica claro o machismo latente:

  • no atendimento, mulheres (e porque será que são justamente elas o elo responsável pelo contato com o cliente?)
  • na criação, homens (e não são poucos os casos de mulheres diretoras de arte e redatoras que perdem o gosto pela profissão por se sentirem excluídas do clube do bolinha.)

Claro que isso não representa 100% dos casos, mas vai negar que normalmente é assim? Faz as contas agora. Vê quantas pessoas trabalham na sua agência, quantos homens trabalham em cargos criativos e quantas mulheres trabalham em contato direto com os clientes — seja em que cargo for. E de quem é a culpa por essa realidade?

Vai negar que na própria faculdade de publicidade não existe um direcionamento “natural” para que as meninas foquem em vagas de atendimento e meninos em vagas mais relacionadas à criação?

Volta pro jardim de infância: enquanto você, menina, fazia aniversário e ganhava bonecas e conjuntos de cozinha; você, menino, ganhava carrinhos e kits de médico. E se você, menina, tinha talento pra desenhar, certamente pouca gente reparou nisso, ou relacionou essa aptidão a alguma profissão.

E no colégio, colega, escrever era a sua praia? Então com certeza te recomendaram cursar jornalismo — você poderia ser a próxima Fátima Bernardes! Mas trabalhar com redação publicitária? Néh. E quando você já estava na faculdade, atire a primeira pedra a menina que nunca ouviu que deveria se arrumar mais “agora que estava acabando o curso”, usar um look executiva talvez. Por que isso?

Mas vamos acelerar de volta para a #vidadeagência. As agências tem poucos criativos mulheres porque há poucas mulheres trabalhando com criação? Ou as mulheres tendem a não focar na criação porque sabem que é um ambiente machista dominado pelos homens?

Será por isso que, em pleno 2015, a gente ainda vê tanta propaganda incrivelmente machista por aí?

machismo-publicidade-1

machismo-publicidade-2

machismo-publicidade-3

Propagandas de todos os cantos do país, vindas das mais diversas agências e que pisaram na bola. E vão continuar pisando, ninguém está isento.

Mas a publicidade está evoluindo? Com certeza. Talvez a passos até mais rápidos que outros segmentos, já que as reações da sociedade são cada vez maiores. Tem gente reclamando de alguma propaganda todo dia, em todas as redes sociais. Essas pessoas estão erradas? Claro que não.

Cabe às agências entenderem essa nova realidade e se adequarem. Se não evoluírem porque é o certo, que evoluam porque a sociedade exige isso delas. Enquanto isso, peças intrinsecamente machistas vão continuar surgindo até que a balança se equilibre entre os setores das agências.

E se você não consegue entender porque qualquer uma dessas peças é hoje encarada como machista, corre pra pegar o bonde da história que ainda dá tempo!

Texto originalmente publicado no medium da Yayá Comunicação Integrada.

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27 de outubro de 2015

Machismo e Publicidade: o bonde da história

Os últimos dias não tem sido fáceis para as mulheres. Na quarta passada, depois da estreia do Masterchef Junior, a internet foi recheada de comentários nojentos sobre uma participante de 12 anos (mais sobre essa história aqui). O caso tomou uma proporção tão grande que não só tomou a mídia como ainda motivou um pronunciamento da única chef mulher do programa, Paola Carosella. Mas como a internet é linda, o site Think Olga lançou a hashtag #primeiroassédio e milhares de mulheres se pronunciaram sobre essa situação tão comum pra nós. E, claro, junto com qualquer onda feminista, vem o chorume de parte da população masculina, e barbaridades foram ditas às mulheres que participaram dessa corrente de apoio à mini-chef.

Pula pro final de semana. A prova do ENEM desse ano trouxe como tema da redação: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Até aí tudo bem pra qualquer pessoa sensata, mas teve quem achasse um absurdo a abordagem de um assunto como esse em ano de crise e escândalos políticos. Absurdo pra quem, cara pálida? A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil, e basta uma busca rápida no Google pra você encontrar muitas outras informações aterrorizantes.

Mas tudo isso qualquer um que tenha se conectado nos últimos 10 dias sabe. O que nem todo mundo percebe é que a violência contra a mulher é algo que vai muito além do estupro e da violência física propriamente dita. Então não vamos nos prender a ela por aqui. Vamos ousar e supor que todo mundo concorda que isso é feio, errado, e deve ser punido, ok? Ok.

Em um momento como esse, em que todos os olhares se voltam para as mulheres, principalmente para as que já possuem um posicionamento feminista prévio, calar é consentir. Ficar calado sobre assédios no dia-a-dia, em relacionamentos e, porque não, no nosso ambiente de trabalho, é consentir.

Sim, esse é um texto publicado pelo perfil de uma agência de publicidade e vamos falar sobre isso.
Agências são ambientes historicamente machistas e atire a primeira pedra a mulher que nunca ouviu pérolas como:

  • Tá de TPM?
  • Dormiu de calça jeans?
  • Estão menstruando juntas?
  • Você leva tudo muito a sério!
  • Tá ficando doida?!
  • Eu entendi o que você quis dizer, mas o certo é ISSO.
  • Você está exagerando!

(Esses últimos exemplos se encaixam bem em quatro tipos de machismo quase sempre invisíveis: mansplaining, manterrupting, bropriating e gaslighting. Não sabe o que é? O Think Olga explica bem esses conceitos.)

Você tem um colega que faz essas coisas, mas você acha que ele faz isso com todo mundo, independente do gênero? Experimenta observá-lo na próxima reunião, no próximo bate papo no almoço. Repara se ele faz isso com os homens com a mesma desenvoltura e malemolência que ele faz com as mulheres. Você vai se surpreender.

Mas é sempre bom lembrar que o buraco é mais embaixo, porque nos próprios setores de uma agência fica claro o machismo latente:

  • no atendimento, mulheres (e porque será que são justamente elas o elo responsável pelo contato com o cliente?)
  • na criação, homens (e não são poucos os casos de mulheres diretoras de arte e redatoras que perdem o gosto pela profissão por se sentirem excluídas do clube do bolinha.)

Claro que isso não representa 100% dos casos, mas vai negar que normalmente é assim? Faz as contas agora. Vê quantas pessoas trabalham na sua agência, quantos homens trabalham em cargos criativos e quantas mulheres trabalham em contato direto com os clientes — seja em que cargo for. E de quem é a culpa por essa realidade?

Vai negar que na própria faculdade de publicidade não existe um direcionamento “natural” para que as meninas foquem em vagas de atendimento e meninos em vagas mais relacionadas à criação?

Volta pro jardim de infância: enquanto você, menina, fazia aniversário e ganhava bonecas e conjuntos de cozinha; você, menino, ganhava carrinhos e kits de médico. E se você, menina, tinha talento pra desenhar, certamente pouca gente reparou nisso, ou relacionou essa aptidão a alguma profissão.

E no colégio, colega, escrever era a sua praia? Então com certeza te recomendaram cursar jornalismo — você poderia ser a próxima Fátima Bernardes! Mas trabalhar com redação publicitária? Néh. E quando você já estava na faculdade, atire a primeira pedra a menina que nunca ouviu que deveria se arrumar mais “agora que estava acabando o curso”, usar um look executiva talvez. Por que isso?

Mas vamos acelerar de volta para a #vidadeagência. As agências tem poucos criativos mulheres porque há poucas mulheres trabalhando com criação? Ou as mulheres tendem a não focar na criação porque sabem que é um ambiente machista dominado pelos homens?

Será por isso que, em pleno 2015, a gente ainda vê tanta propaganda incrivelmente machista por aí?

machismo-publicidade-1

machismo-publicidade-2

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Propagandas de todos os cantos do país, vindas das mais diversas agências e que pisaram na bola. E vão continuar pisando, ninguém está isento.

Mas a publicidade está evoluindo? Com certeza. Talvez a passos até mais rápidos que outros segmentos, já que as reações da sociedade são cada vez maiores. Tem gente reclamando de alguma propaganda todo dia, em todas as redes sociais. Essas pessoas estão erradas? Claro que não.

Cabe às agências entenderem essa nova realidade e se adequarem. Se não evoluírem porque é o certo, que evoluam porque a sociedade exige isso delas. Enquanto isso, peças intrinsecamente machistas vão continuar surgindo até que a balança se equilibre entre os setores das agências.

E se você não consegue entender porque qualquer uma dessas peças é hoje encarada como machista, corre pra pegar o bonde da história que ainda dá tempo!

Texto originalmente publicado no medium da Yayá Comunicação Integrada.

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Advertising

Experience

Mídia Online – Morya Comunicação Omnicom Group
Jan 2018 – Present
I currently work as a Digital Media Specialist at Morya Brazil | ABC/Omnicom Group. In my day by day activities, not only I manage expressive online campaigns but also help building bridges between agency and digital vehicles. Core responsibilities include:

– Creating and managing Facebook Ads, Instagram Ads and Google Ads advertising campaigns.

– Pitching new ideas and possibilities to the Creation and Content teams, aiming to work with niche paid ads as Waze and Spotify.

– Delivering monthly reports, focused on growth, ROI and campaign analysis, comparing meaningful results.

– Working closely with media planning and management tools such as TGI, Hootsuite and MavSocial.

By working remotely in Toronto, I can continue with my job duties while I’m able to bring new trends for Brazil’s advertising campaigns and social media strategies.

Centro Universitário Jorge Amado – Teacher
Aug 2017 – Jul 2018
Worked part-time as a postgrad professor in the Social Media program, teaching the course Digital Marketing Principles.

Gerente de Projetos Digitais – Rocha Comunicação
Aug 2016 – Jan 2018
Worked as head of digital in a traditional agency, planning and managing campaigns, strategizing and buying media throughout brand management.

– Created and developed the digital strategy across all digital platforms, analyzing the scenario and foreseeing new possibilities.

– Planned content, approaches, and actions, focused on a better understanding of buyer personas to make the right choices in all main social media, such as Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Spotify and LinkedIn.

– Managed a digital staff of professionals, working directly with social media, content creation, data science and web design.

– Researched activity about consolidated and new digital influencers, recruiting and evaluating the best assets for digital strategies.

– Experienced a day by day practice with digital marketing tools such as Sprout Social, Stilingue, Facebook’s Power Editor, Twitter Native Platform, Feedly, Hootsuite, Google Analytics, Google Keyword Planner, Evernote, and Slack.

Professora de Pós-Graduação – Faculdade da Cidade do Salvador
Oct 012 – Aug 2016
Worked part-time as a postgrad professor in the Strategic Marketing and Communication program, teaching the courses:

– Communication and Strategic Marketing in Social Media
– Metrics and Monitoring in Social Media

Coordenadora do Núcleo Web – Yayá Comunicação Integrada
Apr 2012 – Aug 2016
Responsible for managing a four-person team and coordinating all digital marketing initiatives for the agency.

– Developed and managed online marketing campaigns through strategic planning.

– Delivered social media monitoring and growth data reports, with monthly ROIs.

– Developed annual marketing plans and manage budgets for digital campaigns.

– Helped to integrate all the agency departments with the newly founded digital one.

– Leaded team members to manage the social media advertising planning for more than 25 social media accounts.

– Managed all digital projects, strategies, and content for social media, blogs, websites and paid media campaigns for 8 clients.

– Created CRM strategies, directly helping brands to target the right audience.

– Worked with social media management and analysis tools and platforms, including but not limited to MailChimp, Trello, Asana, Seekr, SCUP, Publiway, Runrun.it and SYS

 

Projects

As Melhores Coisas de Salvador
Link: http://asmelhorescoisasdesalvador.com.br
Project focused on creating content about Salvador’s culture, gastronomy and leisure options. In less than a year, the project has already accumulated more than ten thousand followers in social media, also presenting:

– Great results with important key words on Google searches.

– Considerable reach of target audiences.

– A huge sense of community and willingness among followers.

Apaixonados por Séries
Link: http://apaixonadosporseries.com.br
Launched the website about TV shows in 2009 and have been blogging and managing it since then. The project achieved a strong, visible social media and online presence, with more than 30 million pageviews, 8 million readers and thousands of followers in Facebook, Instagram and Twitter.

– Lead 20 team members to write and post different and unique articles for the website.

– Create content for the website in the WordPress platform, always prioritizing quality writing combined with SEO techniques.

– Work with Google Analyst, Twitter, Instagram and Facebook Insights.

– Achieve more than 700 thousand page views monthly.

Projects

As Melhores Coisas de Salvador
Link: http://asmelhorescoisasdesalvador.com.br
Project focused on creating content about Salvador’s culture, gastronomy and leisure options. In less than a year, the project has already accumulated more than ten thousand followers in social media, also presenting:

– Great results with important key words on Google searches.

– Considerable reach of target audiences.

– A huge sense of community and willingness among followers.

Apaixonados por Séries
Link: http://apaixonadosporseries.com.br
Launched the website about TV shows in 2009 and have been blogging and managing it since then. The project achieved a strong, visible social media and online presence, with more than 30 million pageviews, 8 million readers and thousands of followers in Facebook, Instagram and Twitter.

– Lead 20 team members to write and post different and unique articles for the website.

– Create content for the website in the WordPress platform, always prioritizing quality writing combined with SEO techniques.

– Work with Google Analyst, Twitter, Instagram and Facebook Insights.

– Achieve more than 700 thousand page views monthly.
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